Canto na liturgia e novas tecnologias
14:33 rabiscado pelo P.A.

(Texto redigido para o boletim "O Canto da Liturgia")
Lembro-me de há uma dezena de anos, talvez mais, fazer guiões litúrgicos com máquina de escrever, fotocopiadora e tesoura. Também precisava de uma prateleira no armário para a bibliografia necessária: muitas partituras, muitos livros de cânticos…
Com o advento das novas tecnologias, tudo isso mudou. E está a mudar sobretudo o processo de armazenamento de informação. A minha bibliografia está agora guardada num computador e é nele que faço também os tais guiões.
Sim, temos a grande desvantagem de nem todas as pessoas estarem ainda preparadas para acompanhar e trabalhar com esta evolução. No entanto, as vantagens superam-na: mais informação armazenada com custos bem inferiores, maior rapidez nos processos de execução de suportes (leia-se, por exemplo: folhas de cânticos) e uma muito maior possibilidade de aprendizagem por parte dos agentes pastorais.
Pouco a pouco e quase sem nos darmos contra, vai aparecendo nesse grande espaço virtual de comunicação que é a Internet tanta coisa útil neste campo. Porquê? Por uma razão muito simples: há cristãos com responsabilidades nas suas comunidades que investem algum do seu tempo a “deixar pegadas” do seu trabalho na rede. E isso acontece também no que diz respeito ao canto litúrgico. Deixo alguns exemplos.
O Vitamina C é um exemplo de um projecto de âmbito diocesano que se tornou uma referência nacional. Apesar de ter como público-alvo os mais jovens e a própria pastoral juvenil devido às características do seu conteúdo – sobretudo música de mensagem, alguma dela também litúrgica - , este sítio é o exemplo acabado da utilidade das novas tecnologias neste campo. Aí, o visitante pode encontrar as letras e os acordes das músicas, a respectiva partitura e ainda uma versão áudio para poder aprender mais imediatamente. É um sítio que está em permanente construção devido à colaboração que dão os próprios utilizadores para quem existe um fórum temático.
Para aceder: http://vitaminac.sdpjleiria.com.
Também um excelente exemplo e, desta feita, exclusivamente dedicado à música litúrgica, é o sítio do grupo coral da paróquia da Baixa da Banheira. Na prática, é um boletim onde são indicados os cânticos das celebrações eucarísticas à medida em que o ano litúrgico vai decorrendo e uma espécie de agenda de ensaios do próprio grupo. Tem ainda a mais-valia de integrar as partituras no prático formato pdf e de ter uma indexação por momentos e tempos litúrgicos.
Para aceder: http://coro.paroquiabaixadabanheira.org.
Eis outros bons exemplos a explorar:
http://musicasschoenstatt.blogspot.com
http://musicanacatequese.spaces.live.com
http://corosaojeronimo.no.sapo.pt
http://www.gjser.org
Como se pode concluir, não é difícil construir um espaço de partilha dentro género. Na internet encontram-se muitos serviços gratuitos que permitem disponibilizar subsídios na área do canto litúrgico. Basta ter algum conhecimento (ou pedir a um amigo), algum tempo disponível e, sobretudo uma grande vontade de partilhar e de aproveitar novas plataformas para evangelizar.
Ser in
18:14 rabiscado pelo P.A.
É giro dizer que não é preciso ser cristão para anunciar Deus (o de Jesus Cristo, claro). É muito in. Sobretudo, muito in... coerente.
Meia dúzia
09:33 rabiscado pelo P.A.

De depois de mais uma jornada vitoriosa com seis machadadas na baliza do Nacional, vem a propósito esta "piece of art" de Carlos Paião.
NEM INCÓMODO NEM GENIAL
12:13 rabiscado pelo P.A.
Desta feita, um artigo de Augusto Ascenso Pascoal, publicado no seu blogue.Volto, passado mais de um mês, só para dizer que o último livro de Saramago não é, como pretendeu aquele jornalista que tive a infelicidade de ouvir, nem incómodo nem genial.
Não é incómodo para mim, como não o é para milhões de crentes, que, ao contrário do que pensa Saramago e tantos ignorantes da nossa praça, sabem que a Bíblia é um conjunto de livros, com uma vastíssima variedade de estilos, mar imenso de elementos culturais; enfim, palavra humana que, e isto só os crentes o entendem, serve de veículo a uma mensagem divina. E, isto também só os crentes o entendem, Deus não selecciona os Seus instrumentos.
Em suma, digamos sem complexos, a Bíblia dos crentes, cristãos, judeus e muçulmanos, pouco ou nada tem a ver com a Bíblia de Saramago.
Também acho que não é genial, embora respeite a opinião contrária dos que estudam a sua obra literária, enquanto literária, com critérios verdadeiramente científicos.
Em meu entender, Saramago, como escritor é pouco original; inclusivamente quanto aos temas, que lhe vêm da moda do disfemismo religioso, do qual imita autores que estão muito acima dele.
Uma coisa me deixa triste, no meio disto tudo: É que um português laureado com o Prémio Nobel da Literatura leia a Bíblia e fale dela como faria um iletrado das nossas aldeias que tivesse perdido a fé numa qualquer encruzilhada desta vida, em que sdobram os salteadores.
O fundamentalista ateu
11:03 rabiscado pelo P.A.
Ainda a propósito do que escrevi aqui, registo a opinião de Francisco Camacho, publicada no I a 20 de Outubro de 2009.Podia ser uma operação de marketing mas, tendo em conta os antecedentes do protagonista, é fúria genuína. José Saramago disse que a "a Bíblia é um manual de maus costumes" e que "tudo aquilo [a Bíblia, bem entendido] é absurdo e disparatado". É razão para alguém se sentir insultado? Depende da susceptibilidade. Um bom cristão, por exemplo, com a capacidade de perdão que se lhe reconhece, não chega a tanto. Limita-se a encolher os ombros perante as palavras de mais um mortal zangado com o mundo. É verdade que o escritor não é um mortal qualquer (é um Nobel) , mas quando diz o que acaba de dizer sobre a Bíblia desce a um nível de vulgaridade quase enternecedor. Não parece um homem que tem o nome inscrito na história e que pode olhar para trás com a certeza de que não passou em vão pelo mundo. Parece um reformado rabugento e frustrado que se entretém a chatear os outros.
A provocação nada tem de original ou de corajoso. Bento XVI não é o aiatola Khomeini e José Saramago não é Salman Rushdie. Que o escritor desfaça a Bíblia ou desafie o Papa é quase irrelevante num mundo livre. Não corre o risco de ser acusado de apostasia. Que reduza à estupidez a fé de milhões de pessoas dá que pensar. Foi precisamente isso que fez quando disse que a Bíblia é uma colecção de "violências e carnificinas". Esqueceu-se, claro, de acrescentar que esses episódios sangrentos constam da Bíblia como exemplos nada recomendáveis. Não é preciso saber de cor o Pai Nosso para perceber essa evidência. Mas, quando o assunto é Igreja, a cegueira do autor de "Caim" é directamente proporcional à de um fanático religioso.
Como grande escritor que é, Saramago escolhe bem as imagens. Quando disse que George W. Bush confundia o mundo com uma manada de vacas, como lembrava há dias Umberto Eco, teve a sua graça. O problema é que o próprio Saramago também é dado a confusões. Confunde árvores com florestas, arrumando a complexidade do mundo em compartimentos estanques. Só quem tem uma visão tão simplista da realidade consegue ser lapidar com a frequência alucinante de Saramago. Por exemplo: "As religiões, todas sem excepção, nunca servirão para aproximar e reconciliar os homens", escreveu em 2001. É uma opinião respeitável como outra qualquer, mas vinda de uma figura que nada tem de conciliador é também uma preocupação surpreendente.
O Nobel português faz generalizações que são injustas, maniqueístas e perigosas. Não perde uma oportunidade para criticar ferozmente tudo o que lhe cheira a América, a Israel, a religião (de um modo geral) e a cristianismo (em particular). Saramago passa a vida a satisfazer todos os que o acusam de intolerância e sectarismo. O problema de homens assim é cobrirem de razão os adversários menos estimáveis, servindo- -lhes de bandeja argumentos para o contra-ataque. Com as suas posições radicais, sejam sobre a política externa de Israel ou a Bíblia, o escritor nada faz para travar fundamentalismos judeus ou católicos nem para salvar as vítimas que lhe tiram o sono. Pelo contrário: serve de impulsionador às forças que diz combater. Nisso, não é assim tão diferente de George W. Bush.
José Saramago, Caim, a Igreja e Abel
09:35 rabiscado pelo P.A.
Da parte de Saramago, os católicos já se habituaram a investidas mais ou menos bacocas, tão fácil que é de rebater a argumentação do português que mora em Espanha.Relativamente ao escritor, o tal da Jangada de Pedra, do Memorial do Convento, do Ensaio sobre a Cegueira, entre outros, nada tenho. E orgulha-me, enquanto português, ter merecido a distinção do Nobel da Literatura. No entanto, isso não me impede de criticar aquela permanente atitude freudiana de perseguir o que ele parece considerar ser a causadora dos males da humanidade: a Igreja.
As últimas afirmações acerca da Bíblia parecem-me completamente normais e por isso considero que, como diz o povo, mais valia estar calado. E parecem-me normais para alguém que lê a bíblia como literatura ou como "manual de costumes". Parecem-me normais para alguém que, nesse campo, está um pouquinho acima da pura ignorância. Ou seja, nos terrenos onde a aquela anda de mãos dadas com a mesquinhez. O facto de se ler a Bíblia de um ponta à outra, não significa que se compreenda o seu significado. E pelas palavras do escritor, pode depreender-se que ainda está num patamar muito básico da compreensão pelo livro a que se refere. E isso vindo de alguém que escreve bem, que traduz em letra escrita o que o verbo falado tem dificuldades em exprimir, só poderia levar-me a concluir, por respeito, que o grau de senilidade está a avançar a olhos visto, não soubesse eu um pouco do seu historial nesta área.
Caro Zé: é mais fácil atirar-se a lugares comuns e tocar a desancar na Igreja para ganhar uma horde de fiéis seguidores. É um golpe de publicidade básico e barato. Mas tão baixinho, que se sujeita a descer com ele. Porque não fazer o mesmo com o Corão ou com a Torah? Ah... não traz tantos benefícios. E ainda se arriscaria a ter retaliações violentas, ao ponto de poder estar a sua cabeça em causa. Sim, a Igreja é mais branda. Mas não se preocupe que é isso que lhe é ensinado pela Palavra. Os filhos da luz são assim.
Ps: o que é que o Abel tem a ver com isto?
Por que temos de ser iguais aos outros?
10:23 rabiscado pelo P.A.

